O mais terrível genocídio de que se tem notícia, após a segunda guerra mundial,
foi o corrido em Ruanda, em 1994, no qual, segundo posterior estimativas do governo
ruandês, cerca de um milhão de pessoas foram mortas, em cem dias.
É um episódio terrível na história da humanidade.
Por traz dele estão os interesses políticos e econômicos das nações, chamadas
civilizadas, da Europa.
Essas potencias, em seu domínio nefando, aproveitaram-se de divergências
tribais da região, entre tutsi, minoria, e hutus, maioria, para semear o ódio.
A eclosão dessa loucura coletiva dos hutus na caça e morte dos tutsis é de uma
selvageria indescritível. Os tutsis eram caçados como” baratas” e “ serpentes” , assim os
hutus os denominavam e assim eram mortos; não importava se eram velhos, crianças,
jovens, homens ou mulheres.
É dantesco o cenário de como essa onda de ódio, perseguição e morte se alastra
pelos pais e como pessoas amigas e vizinhas, passam a ser encaradas como inimigos que
precisam ser aniquilados, de qualquer forma e sem a mínima piedade.
Nesse terrível cenário, porém, sobrelevam pessoas admiráveis por seus
pensamentos e condutas calcadas em valores éticos emergidos dos valores cristãos,
fossem eles vistos ou expressos pelas óticas religiosas do catolicismo ou protestantismos.
Dentre essas pessoas encontramos Immaculée Ilibagiza, jovem da etnia tutsi.
Seus pais, pessoas profundamente cristãs, pela formação católica eram
admirados e reconhecidos pela comunidade de Mataba.
Ao irromper a perseguição dos hutus aos tutsis, o pai de Immaculée encaminhou-
a à casa do seu amigo hutu, o pastor Murinzi.
Embora um pouco impregnado pela discriminação aos tutsis, o pastor,
evidenciando seus valores cristãos pela formação protestante, acolheu, sob risco da
própria vida, a tutsi Immaculée.
Tempos dolorosamente difíceis.
Immaculée e mais seis jovens e mulheres tutsi ficaram escondidas em um
banheiro da casa do pastor por alguns meses, com o mínimo de alimentação e sem
condições de tomar banho. Não podiam nem conversar, para não denunciarem as
presenças delas naquela casa.
Por várias vezes a casa do pastor foi revistada e revirada pelas milícias hutus,
que caçavam tutsis como “ baratas” e “ serpentes” para aniquilá-las.
Nesses momentos, Immaculée orava fervorosamente não só para sobreviver,
como, também, para não se dominada pelo ódio aos perseguidores
Embora o inenarrável sofrimento nessa prisão, ela se robustecia na fé para
trabalhar, se não fosse morta, para eliminar ou aplacar o ódio entre os descendentes das
tribos tutsi e hutus, que compunham o povo do seu país.
Seus pais e irmãos foram barbara e impiedosamente mortos.
Não obstante, Immaculée, pelo poder da sua fé, não desistiu de trabalhar contra o
ódio e semear a paz e o amor entre as pessoas.
Hoje trabalha na ONU, é palestrante sobre temas do amor e do perdão e tem uma
fundação de apoio às crianças órfãos de Ruanda, que ela prometera fazer quando, ainda,
enclausurada.
Lendo essa exemplar história de vida, relatada no livro: “ Sobrevivi Para Contar” ,
de Immaculée, relatada pelo jornalista e escritor Steven Erwin ( Ed.Objetiva Ltda), eu
conclui: “ Para ser proveitosa, a fé tem que ser ativa; não deve entorpecer-se” ; ...” A
esperança e a caridade são corolários da fé e formam com essa a trindade inseparável.
Não é a fé que faculta a esperança na realização das promessa do Senhor? Se não
tiverdes fé, que esperareis? Não é a fé que dá o amor? Se não tendes fé, qual será o
vosso reconhecimento e, portanto, o vosso amor? ( O Evangelho Segundo o Espiritismo,
Allan Kardec, Cap.XIX, item 11).
Sim, essa é a fé de Immaculée. Como a humanidade está necessitando dela!