A VERDADE DE CATIVEIRO

Os indigestos sapos do dia-a-dia 

A idéia de escrever sobre o assunto surgiu recentemente, durante um destes desencantos e, que poderá colaborar de alguma forma para o diagnóstico quando as circunstâncias se tornam nebulosas, revoltantes, e indigestas.

A verdade de laboratório nasce a partir de um objetivo. Uma ou várias mentes férteis, usando uma bula, cuja composição repleta de substâncias, produzirá um vocábulo que trará efeitos vantajosos para seus idealizadores. Se valendo desta gestação de proveta, os “gênios” e os grupos detentores de poder fazem suas normas, regulamentos e leis internas...

Vamos aos exemplos: se o correntista deixar saldo positivo em conta o banco credita umas migalhas de ganho, porém, se ficar devedor a coisa muda de figura e os juros o asfixia, todavia isso é legal, afinal, está no contrato. As empresas de telefonia e outros prestadores de serviços também adoram brincar de gato-rato, pertencendo a eles o personagem principal, cabendo a nós o papel dos ratos. O labirinto a percorrer antes de falar com o gentil atendente é penoso, uma devassa é feita em nossa privacidade, isso quando a ligação não cai e tudo volta à estaca zero, um teste de perseverança para aquele que após cumprir a maratona cruza a faixa de chegada e recebe como prêmio o número do protocolo prometendo em breve a solução. Há também o atual e crescente telemarketing, impulsionado por hábeis publicitários que se aproveitando da farta energia dos jovens invadem nossas residências com sedutoras propostas, que sequer nos dão a chance de falar devido à avalanche de argumentos que cansam os ouvidos e tonteiam a paciência, no entanto, isso é legal, e pela lei das probabilidades acabam faturando novos clientes. Mas o campeão de todos é poder público, que quando erra, rateia o prejuízo entre os contribuintes, porém quando a situação se inverte nem é preciso dizer... E, para finalizar, coloquemos nosso carro na via publica, aí o “bicho” pega e as evidências são mais numerosas do que os buracos existentes no caminho. Quando não há planejamento, orientação e campanhas educativas a saída é multar e mais uma vez o rebanho é castigado. E nesta condição desfavorável a pessoa toma ciência da “verdade de cativeiro”. Adestrada, feito um cão feroz a defender seu dono, avança para cima da presa encurralando-a nas entrelinhas contidas nas confusas e “sábias” regras que blindam os contratos ou legitimam a mediocridade dos apadrinhados.

Conclusão

A verdade de cativeiro é um clone da conhecida lei dos “dois pesos e duas medidas” e que sempre fez sucesso entre os que colocam seus interesses acima de tudo.  

Enviado por:
J. Antonio Sespedes
www.outonos.com.br

Voltar